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Mas afinal o que é isto de ser Arquiteto? Por Mateus Oliveira

  • Foto do escritor: Mateus Oliveira
    Mateus Oliveira
  • 5 de jul. de 2024
  • 2 min de leitura

Saberei eu, pela enorme paixão que tenho pelo que faço e pela visão romântica que tenho da Arquitetura, ser capaz de exprimir por palavras aquilo que me define profissionalmente?


Bem, proponho-me a esse exercício convosco. E logo me darão a resposta. Imponho-me, no entanto, abordar o tema – sobretudo – com o coração. Ignoro, hoje, o lado menos bonito inerente ao exercício de qualquer profissão que está muito dependente de decisões, públicas e privadas, de pessoas cuja sensibilidade para a disciplina é – muitas vezes – inexistente.


Tenho um orgulho imensurável em ser Arquiteto. Melhor, em sentir-me Arquiteto. Porque é diferente! Esse orgulho não está inerente ao título, porque esse não me define nem define ninguém e serei sempre, apenas e só, o Mateus. É algo de dentro. Inexprimível.


Olho hoje para a Arquitetura com um fascínio ainda maior do que aquele que, em 2006, estava carimbado – a sonhos e ambições – no diploma de conclusão de curso. Cresce em mim o deslumbramento inerente à chegada ao lugar do projeto para lhe sentir a essência, lhe conhecer a história, a memória e a identidade e estabelecer – com ele – um diálogo honesto de intenções. E encanta-me muito – mais a cada dia – o ato, quase sagrado, de pegar no lápis e na folha de papel para rabiscar as primeiras ideias daquilo que é, amiúde, o primeiro passo para a materialização do sonho de alguém e que, de forma natural e quase inconsciente, passa a ser meu também.


Esse prazer carregado de responsabilidade, particularmente intenso no projeto de casas, alimenta-me de uma forma que nunca serei capaz de traduzir em palavras. E é, no fundo, esse prazer que me desafia a querer aproximar a Arquitetura das pessoas. Borrifando-me completamente para o prestígio individual e a cultura – vazia de essência – inerente ao conceito Starchitect, que desperdiça recursos e subverte tudo aquilo que deve ser o exercício da profissão. É esse mesmo prazer que me motiva a “perder” dias em diálogo constante com as pessoas que me procuram e que me confiam algumas das decisões mais importantes das suas vidas. Exijo-me percebê-los. E desenhar-lhes “lugares” com a mesma paixão como se fossem meus. Porque esta é a exigência intrínseca a uma profissão que se exerce através de vontades e de relacionamentos com tantas pessoas, com tantas disciplinas e a tantas escalas (do parafuso à cidade); de forma tão abstrata/artística quão – antagonicamente – rigorosa/científica; que é a representação física de dimensões culturais, que carrega, para o bem e para um mal, uma enorme responsabilidade social que exige ética e honestidade intelectual de cada um de nós e que tem de ser sempre um importante instrumento democrático; e que me faz encarar ideologicamente a profissão, em compromisso permanente com a essência daquilo que é a Arquitetura.


Em suma, que me faz querer contribuir para que a Arquitetura e os Arquitetos saibam estabelecer uma relação empática verdadeiramente genuína com a sociedade.


Mateus Oliveira

 
 
 

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© 2024 por Mateus Oliveira, Arquitetos

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